Suas aulas e textos eram para mim a reflexão de um dos mais profundos teólogos que tive a honra de conhecer pessoalmente. Além da grande admiração por alguém que unia teoria e prática, que dava testemunho do que falava e escrevia.
Porém, agora fico me perguntado para onde foi este teólogo? Não escrevo para fazer contestação, mas para tentar encontrar aquele Clodovis que conheci.
Minha impressão, usando um ditado popular, é que você “está jogando a água e o bebê fora”.
Não há dúvida que um intelectual profundo como você pode ir reformulando a própria reflexão ao longo tempo. Não me surpreende a revisão que você tem feito. Em certa medida, você sabe, até concordo que a Teologia da Libertação não aprofundou a relação da teologia com vida existencial do povo, não aprofundou, suficientemente, a dimensão subjetiva e simbólica.
Hoje mesmo (22/06), na pequena comunidade que participo, uma senhora que nunca tínhamos visto participou da Celebração da Palavra conosco. Na partilha ela disse que passou em frente e procurou saber o horário da celebração. Cremos que, como foi bem acolhida, abriu o coração. Disse que estava ali, na igreja, depois de três anos. Perdeu um filho assassinado, envolvido com drogas. Sentia-se culpada. Ora, o que poderíamos oferecer a ela? Falar da injustiça que o sistema impõe aos pobres? Dizer que há um processo de exclusão que estimula a aparofobia e segrega, sobretudo os negros? A comunidade simplesmente a acolheu e buscou afirmar que a vida dela tem valor e que vale a pena ela continuar. Parece que ela gostou.
Porém, sabemos bem, que isso não significa que possamos afirmar que o compromisso com os pobres seja um mero detalhe da Boa Nova de Jesus Cristo. Que o Reino de Deus não seja o centro da missão de Jesus de Nazaré. Também não dá para ficar no dualismo platônico entre alma e corpo, não reconhecendo a salvação como um processo integral até a plenitude.
Mas não tenho condições de fazer esta reflexão neste texto. O que me surpreende é a situação na qual você envolveu a sua crítica. Meu irmão, muitos dos que estão em sua volta hoje, utilizando-se do seu posicionamento, tem promovido mentiras e discurso de ódio. Alguns até suspeitos de estarem promovendo golpe de estado. Promovendo a divisão na Igreja de forma desonesta. Nosso Papa Francisco sofreu muito com eles.
Seria tão bom se pudéssemos bater um longo papo ao redor de uma mesa, com fraternidade, serenidade e acolhimento, para compreender tudo isso melhor. Fico imaginando uma conversa entre você e seu irmão Leonardo, que tanto te ama, e eu assistindo e dando um “pitaco” ou outro para provocar o aprofundamento.
Não sei se chegará a ler este pequeno texto, mas seria tão bom, sem querer ultrapassar o mestre, se a conversa não fosse pelo caminho escolhido por você, isto é, a aliança com setores eclesiais que nos odeiam, que rejeitam o Concílio Vaticano II. Não seria melhor uma conversa, pelo menos inicial, com pessoas que eram muito próximas a você?
Meu professor, se esta carta chegar a você, receba o meu abraço fraterno.
Celso Pinto Carias, “mendigo de Deus”.
Fonte: Facebook
Abaixo segue um vídeo que explicita um pouco mais a Carta de Clodovis aos Bispos do CELAM e o parecer do Gabriel, um dos alunos também de Clodovis.
Sigamos sempre nos trilhos do Evangelho…
Circular:01/2022 Assunto: Convite/Faz Belo Horizonte, 06 de Julho de 2022. Justiça e paz se abraçam. Sl 85/84 Muitos são os desafios de hoje. Um deles, é “a formação do eleitorado brasileiro, por meio de um processo que possibilite uma leitura crítica do momento atual e que aponte para o exercício [Continua lendo…]
Os membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elegeram, durante reunião realizada em Brasília-DF, de 20 a 22 de junho, os bispos que irão integrar a Comissão Episcopal para o Laicato da entidade no quadriênio 2023-2027. Todos bispos que integrarão as Comissões Episcopais permanentes e [Continua lendo…]
“Todos os organismos queremos ser o sinal visível do rosto da Igreja que Jesus quer”. Para isso se faz necessária “uma abertura maior”, pede Sônia Gomes de Oliveira, que ressalta que “o laicato está na base, ele consegue trabalhar, ele consegue fazer um papel organizativo nas paróquias, nas dioceses, mas [Continua lendo…]
Seja o primeiro a comentar