Retomar o primeiro amor: memória, ancestralidade e compromisso libertador

MNFP - Youtube

No 13º Encontro Nacional de Fé e Política, Marcelo Barros, Monge Beneditino, resgata as raízes da mística libertadora, propõe uma fé laica e profética e aponta o Bem-viver como horizonte para uma nova prática política e comunitária.

Marcelo Barros, biblista e teólogo, profundamente comprometido com as causas populares nos brindou com a reflexão “Retomar o primeiro amor”, no 13º Encontro Nacional de Fé e Política.

Nela, ele propôs um retorno às fontes mais profundas da experiência de fé e compromisso social. Inspirada na tradição bíblica, especialmente no chamado do Apocalipse, a expressão significa recuperar a mística original das comunidades que nasceram da luta por libertação, marcada pela amorosidade, pela esperança e pela fidelidade ao projeto de vida plena.

Ele destaca que essa retomada passa pela memória – entendida não como nostalgia, mas como força viva que orienta o presente e o futuro. Recordar é “trazer de novo ao coração” aquilo que dá sentido à caminhada. Nesse horizonte, a fé é apresentada como memória perigosa e transformadora, capaz de manter viva a utopia de um mundo mais justo.

A reflexão também dialoga com as ancestralidades, reconhecendo que a sabedoria dos povos originários e das tradições afrodescendentes oferece chaves fundamentais para compreender a relação entre passado e futuro. A ideia de “futuro ancestral” desafia a lógica dominante do progresso e convida a recuperar modos de vida enraizados no cuidado com a terra, com a comunidade e com a vida.

No campo da fé e da política, o texto propõe uma compreensão renovada: nem uma fé intimista e desligada da realidade, nem uma política reduzida à disputa de poder. Defende-se uma fé laica, aberta, profética e não confessional, capaz de sustentar uma ação política crítica, libertadora e comprometida com os excluídos. Essa perspectiva valoriza o caminho comunitário, o diálogo entre diferentes tradições e a construção de relações horizontais.

Outro eixo central é a crítica ao risco de perder o essencial da caminhada, substituindo o “primeiro amor” por estruturas, normas ou agendas fragmentadas. Sem negar a importância das lutas específicas, o texto reforça a necessidade de integrá-las em um projeto maior de libertação integral da humanidade e da Mãe-Terra.

Por fim, apresenta o Bem-viver como horizonte ético, espiritual e político. Inspirado nas culturas indígenas latino-americanas, o Bem-viver propõe um modo de vida baseado na harmonia, na partilha, na escuta, no cuidado e na alegria de viver. Mais do que um conceito, trata-se de um caminho concreto de transformação pessoal e social.

Retomar o primeiro amor, portanto, é reencontrar o sentido original da fé comprometida com a vida, fortalecer a memória das lutas e reacender a esperança de que outro mundo é possível – e necessário.

No vídeo abaixo você acompanha a reflexão de Marcelo Barros a partir de 2h:08 minutos. Vale a pena conferir.

 

 

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta