CNBB lança um Manifesto pela Ecologia Integral: a fé cristã como força transformadora diante da crise do planeta

O Manifesto Ecologia Integral, publicado pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração da CNBB, é um documento vigoroso que propõe uma narrativa cristã libertadora e ecológica diante da crise civilizatória provocada pelo capitalismo global. Com base na Laudato Si’, o texto articula espiritualidade, crítica social e prática pastoral, chamando a Igreja a se posicionar com coragem ao lado da vida, da justiça e da Terra.

1. Uma narrativa cristã libertadora

Denuncia-se o modelo econômico baseado na financeirização da natureza, na lógica do descarte e na exploração sem limites. O capitalismo, afirma-se, não é reformável: ele precisa ser superado. A organização popular e a resistência dos movimentos sociais são apresentados como caminhos concretos de esperança e enfrentamento. Retoma-se a tradição profética da Igreja Latino-Americana: “ecologia sem luta de classes é jardinagem”, como dizia Chico Mendes.

2. O corpo ressuscitado de Cristo na criação

A teologia da criação é aprofundada numa perspectiva cósmica: Cristo está presente em toda a realidade. A destruição da Terra é, portanto, uma ferida no corpo do Ressuscitado. Defender a criação é defender a fé cristã. A espiritualidade ecológica deve levar à ação concreta, superando a indiferença e assumindo a conversão ecológica como exigência do discipulado.

3. O que é ecologia integral

A ecologia integral compreende a interdependência entre todos os seres, materiais e espirituais. Não se trata de ecologia “verde”, mas de um novo modo de ser Igreja, de fazer pastoral e de pensar a missão. Propõe-se uma pastoral integrada e transformadora, com participação ativa de comunidades, articulação com os movimentos sociais e valorização da memória e da luta das bases eclesiais e dos povos originários.

4. Consequências socioambientais e pastorais

Este capítulo é o mais prático e contundente. Denuncia a mineração como símbolo de um modelo que sacrifica a vida pelo lucro. Propõe:

  • Desinvestimento das igrejas em empresas predatórias;

  • Apoio à Reforma Agrária e à agroecologia camponesa;

  • Resistência ao falso discurso da “energia limpa” que, no fundo, mantém o extrativismo;

  • Fortalecimento da autodefesa dos territórios e das comunidades ameaçadas;

  • Valorização das espiritualidades ancestrais e das culturas do Bem Viver.

O texto valoriza experiências concretas como a Campanha A Vida por um Fio, os Comitês de Bacia, a ASA, a Rede Igrejas e Mineração, entre outras. Insiste que só haverá justiça climática com justiça social e territorial.

Conclusão: um grito pascal de esperança

O manifesto encerra-se como um ato de fé na possibilidade de transformação histórica. A esperança cristã não é passiva, mas militante. Invoca a mística dos mártires da terra — como Dorothy Stang, Chico Mendes e Berta Cáceres — e convida as comunidades eclesiais a assumirem sua vocação pública e profética. “A hora é agora”, diz o texto, unindo o clamor da terra e o grito dos pobres como lugar teológico da missão da Igreja.


Para pensar e agir
O Manifesto é um instrumento pedagógico e pastoral, uma carta de navegação para o tempo de crise. Deve ser estudado em comunidades, seminários, campanhas e processos formativos. Convoca a Igreja a deixar os bastidores do poder e caminhar com os povos na construção de uma nova civilização: do cuidado, da partilha e da comunhão com a Terra.

Acesse e baixe o texto integral no link abaixo:

Manifesto Ecologia Integral – CEPAST_CNBB

Veja abaixo o lançamento do Manifesto no canal YouTube da CNBB

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